Escrito por Rafael às 01h30
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Sina Pequenina
O Símbolo é a neve,
a criança importante na manjedoira,
a casinha com chaminé,
mas chovia gota grossa
e, no frio molhado,
os olhos de um menino,
como árvore luminosa,
brilhavam a falta.
Não há prece,
não há casa,
não há gente,
não há ceia farta,
tampouco o presente.
Só o menino pequeno,
no enorme egoísmo da noite;
papelão ignorado,
presépio do abandono.
Se Deus o protegia, não sei.
Tarefa demais para invenção.
...
E, enquanto isso,
na prateleira da loja,
um Natal diferente estava à venda
e todo mundo acreditava.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 21h11
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Mercadoria
Nestas eras de sonhos mortos,
só quimeras enlatadas
animam parcialmente
espíritos duvidosos e
vazios, produtos.
Todos são cada vez menos,
mas as marcas ainda são as mesmas...
O tempo inexiste em ócio,
a carne é sabor angústia,
o carrasco é o ponteiro do relógio
e há recreio de bílis,
que mais ácidas,
derretem até a lógica.
E quando, iluminado pela lâmpada de Mercúrio,
encontro o meu cansado reflexo
em espelho sujo,
espumando saliva fria,
reclamo o rótulo
que me falta,
consumindo-me grátis,
mercadoria.
* 2ª Colocação (Categoria: Alto Tietê) no Concurso de Poesias: “aBrace as cores do arco-íris” , promovido pelo Movimento Cultural aBrace Para a Região do Alto Tietê-SP. Agosto, 2007.
** Publicada em Junho de 2008 no Jornal Mensal Português (Lisboa): "Mudar de Vida", pág. 15. Confira no Site:
http://www.jornalmudardevida.net/uploads/pdfs/mv8.pdf
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 18h21
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Poemeto da Constatação sem Eco
Já degradamos
a Hidrosfera,
a Atmosfera,
a Litosfera,
e,
logo,
seremos
fera
sem esfera.
Ex-fera, aí?
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 21h05
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O Vaso Grego
O vaso grego
na estante
é o nada
vestindo velada
armadura frágil.
Cavalo de Tróia
e ventre do não,
a veste do oco.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 09h07
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Lume
Entremostrados,
desejos imaturos
rasgam a sombra
(enganos).
Cavaleiros do ocaso,
porque ser é certo.
Sem quando,
cego tateando
os segundos
do relógio gasto,
ávida luz.
Simples é guardar o
que nasce,
flor delicada:
o começo,
o fim,
ou o nada.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 17h56
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Fernando Pessoa e Aleister Crowley
Evocação
O emblema oculto do poeta evitado é o digno
distintivo do Mestre. Mas é chegada a hora! Levanta, escura sombra, e sacode o pó e as trevas! Decifro-te e devoro-te,
encoberto, embriagando-me
em tuas quimeras.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 17h38
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A Cigana Guillaume Apollinaire
(26 août 1880, Rome - 09 novembre 1918, Paris)
Tradução: Rafael Puertas de Miranda
A velha cigana sabia, antes, de nossas duas vidas condenadas pela noite. Dissemos-lhe adeus E, a nossa maneira, queríamos provar seus erros. O amor, pesado como um urso lerdo, bailou de pé, quando lhe ordenamos. E o pássaro azul perdeu suas plumas, e os mendigos, suas súplicas. Sabemos muito bem que nos condenamos, mas a esperança perdida pelo caminho nos faz pensar, mãos entrelaçadas, no que a cigana havia dito. (Mogi das Cruzes, 12 de Abril de 2007 - Outono)
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 17h20
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A gaiola vazia,
inteira azia do são,
jaz,
enfeita, enquanto,
apesar presa,
reine no canto
morto da sala;
encanto.
Cave-a
e nela encontrarás
pássaro forma,
norma e muitos,
porque minha.
Colorido encarte
de loucura?
Não, não é!
A imaginação
faminta é que
devora o espaço
alpiste engaiolado,
regurgitando nele
lentas lascas de letras.
Palpite foi deixá-la voar!
E vai existindo...
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 19h01
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Autoparódia
“Aqui entre nós (porquanto não ireis contá-lo aos poetas trágicos e a todos os outros que praticam a mimese), todas as obras dessa espécie se me afiguram ser a destruição da inteligência dos ouvintes,(...)” Platão
O Poeta é um espremedor.
Espreme tão completamente
que arranca da palavra Dor
um sentido diferente.
E aqueles que provam o que ele espreme,
na Dor lida sentem bem,
não só o amargo de sempre,
mas um doce que ela não tem.
E assim, nas colheradas de sopa
giram, a saciar a emoção,
significados de palavra solta,
que dariam ânsia à Platão.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 21h12
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Outro Nó
Vale,
se a Solidão,
noiva nova,
assalta
até
pena fica
torta .
Danço
com ela,
alegre, e a
foice descansa.
Volúpia
inteira
tragada
pelo abismo
e angústia
da certeza
de sorrisos não .
E a folha seca,
que solta a
árvore,
demora o tempo
e cai girando,
no lusco-fusco,
ao nosso lado.
(O rodopio do vestido negro!)
Fato,
amarga cena,
fado
em baile estático .
Sina sem sombra
e som:
Fada fria,
a noite
chegou
e eu não vi.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 18h37
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Tua
A uma bela moça, inalcançável como Laura de Petrarca.
Uma palavra
áspera
rasgou-me
a face,
tirando-me a calma!
Era uma
amor
intratável e
ácida,
oriunda
da tua
boca,
seca da minha.
E mesmo cego
a sentia,
pairando
no vazio,
subvertendo
a Letra
do que
existe
e é fraco.
Pálido,
sangrei desejos
pela estrada
afora...
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 13h11
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Poema Alvo
Este é o poema alvo,
incauto,
oficial e ligeiro,
tiroteio que queima
a calma;
é um estalido seco
nestas horas histéricas,
é o medo degredo
do livre,
é os olhos em cenas
covardes,
é o bem e o mal
que depende do lado,
é sombra amorfa
espreitando a realidade,
é o buraco fatal
e mortífero fim,
sendo assim, é o agora!
E o poema alvo,
quem diria,
termina rubro.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 16h37
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Suados dedos,
eficientes no tato,
percorrem teu corpo
em sensações completas
de momentos breves,
contato,
dermes entrelaçadas,
nu quarto.
...............
Na janela a vida despenca
como chuva forte
batendo em pedra cega.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 19h01
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O silvo sibilante
da serpente assassina
sobe, sinuoso
e sem sigilo,
espaço acima;
suntuosa sombra som
no cimo
assinalada.
Vendo-a, o sertanejo
bruto bate bastante, bronco e brioso,
com um toco na cabeça dela:
NAJA CALADA!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 18h50
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Insone
As madrugadas suburbanas
me enchem de um tédio suculento!
Socorridas, as vontades descansam alheias
e, enquanto o sono se esconde,
escuto a monotonia da rua
repousando em suspiros
e o vento frio que faz vibrar os fios dos postes,
e o pó dançando em redemoinho,
o obscuro sentido das coisas,
visitando-me
em mistérios noctívagos, fantasmas,
divagações maneiras
de um insone.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 18h42
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Poema Toco
À Antônio Carlos Jobim
O toco não tem resto, Maestro!
Ele todo
é aquilo
que sobra!
O toco não tem resto, Maestro!
Ele o é!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 20h35
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Hades Letra,
escura,
limo fingindo
flor
na folha,
agrura!
Três cabeças
e a mesma fúria.
Cuidado Nauta:
há desgosto
no domínio!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 20h03
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Salgad(inho)
Tu és, ó Mar Salgado,
o cuspe abismal
que separa,
sisudo,
a Língua
do Brasil
da
de Portugal.
Por ti, as mães não choram mais,
pois reservam seus ais
para os finais casamenteiros
de nossas novelas caravelas
que povoam as telas lusitanas.
E as gírias,
ardilosas ratazanas,
descobrem as bocas estrangeiras
e sob olhares ciosos
deflagram um brasílico beijo lingual
de desforra.
Não faz mal,
vamos encher lingüístas!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 16h26
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par
a
mariposa
moça
pousa
beija
na flor
o seu amor
e o afeto no abeto
pela noite
ofusca o teto
sem cor
afinal, qual estrela,
em um encontro
na mata, brilharia
muito
mais quente?!!?
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 14h10
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Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 13h47
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Suspiros poéticos e soluços
ai, ai...
....................
....................
urp!
....................
....................
urp!
....................
....................
urp!
ai, ai...
....................
....................
urp, hic!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 13h22
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Escrito por Rafael às 22h46
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Circe
Estou um porco, Circe,
e o fel do
teu corpo feiticeiro
perfuma meu
desejo louco.
Grunho rouco
no chiqueiro,
ainda que
reste apenas
entre as réstias
tua sinuosa
sombra.
O focinho chafurda,
em chama,
a lama.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 14h24
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Poema Caveira
Resto de pele é
seca palavra,
arcabouço de idéias
descarnadas.
O branco tosco
do papel
que resta
reclama faminto
o risco,
arranha
lasca inteira
da ponta
do lápis
com seus
dentes sulcos
esfomeados .
E a órbita
vazia
do medroso,
poema caveira
osso,
exala economia.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 14h54
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Poesia X
Aberta,
a boca
abarca:
abelha,
mosca,
traça...
Até a
palavra
incerta,
inseta!
Feche-a,
ô meu !
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 14h37
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Poesia VIII
Entre Bares
Saborosos paraísos líquidos
regam desejos ancestrais.
Sem temperamentos pálidos,
és esquálido diante de tua sombra tênue.
Gama de riscos,
corpos,
copos,
medos interiores e
reflexos alucinados de seres,
o tempo todo,
vitoriosos!
Todos são verdades inventadas
nestas horas mortas que não passam,
pingam!
Êh, choro que não vem
e é dor,
ponta encravada no espírito teimoso e
ébrio que
só sorri,
só, sorri.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 21h10
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"Ver"
Autor: Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura...
Buscar na Web "Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)"
Categoria: Citação
Escrito por Rafael às 20h16
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Sem Espaço
A cena era incrível: reinava em seu pedestal enferrujado aquela espinha de peixe de alumínio espelhado. Da janela do meu quarto, admirado, passava horas a observá-la. Como a quilha de um navio, ela rasgava o oceano atmosférico em busca das ondas invisíveis. Era pura liberdade. Suas sofisticadas concorrentes circunflexas, constantemente vitimadas pelas moscas orbitais e seus ícones viciosos, invejavam-na. Ela que ainda respirava os ares do cotidiano regionalista; a grande guerreira, ofensiva, intrépida, estática, ultrapassada, um morcego espinhudo! Aquela singular figura só temia o vento: varrida, dava voltas, às vezes alçava vôo; vibrava no vazio, virava veloz... E ali permanecia. Até que, no dia do jogo principal, sem chance: chovia o chato chuvisco cheio de chispas. Chinfrim! Então, a torcida torcia o poleiro. Está bom? Tá! E tudo voltava ao normal. Com seus pólos receptores, já tragava novamente as vagas hertzianas e cuspia em mim seu escarro televisivo.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 18h57
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Poesia VII
E então, já era?...
À Vladimir Maiakóvski
As bombas passam em alta velocidade,
os mísseis faíscam os céus,
os aviões de passeio viram pedras cuspidas da funda de Davi
e daqui percebo que nenhum cidadão
ousa respirar tranqüilo.
Asma à arma.
Abrem-se as folhas fossas de jornal
e as desgraças notícias são as mesmas.
Os átomos soltos saltam
e, como cachorros perdidos
com olhares lacrimosos,
seguem-me até em casa.
O mar da história é sonegado.
Salve, a memória é curta! Salvem-se!
Lá longe, vagas procelas
afogam um navio figura teimoso
de quilha arruinada e gasta
como nossos sorrisos amarelos
de paraíso engasgado.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 22h29
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Poesia VI
À Vida
À Augusto dos Anjos
Sombras despertam a ação da figura
que rói as entranhas desalmadas.
Contorcidas carcaças, já enterradas,
palpitam com o viver de tal criatura.
E o silêncio do abismo escavado
só se faz novamente quando o verme,
insistente e faminto, chega ao cerne
do pútrido alimento inanimado.
Esta, então, é a resposta
que apavora o homem e entorpe.
Quem comigo faz uma aposta?
Vamos, desafie a Morte!
E verás o castigo ao qual tua alma é imposta.
Estarás longe, enquanto outros decidirão tua sorte.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 22h06
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Poesia V
O
Solitário
é um aquário
vazio na beira
de um
r
i
o
cheio de peixe!
cheio de peixe!
cheio de peixe!
cheio de peixe!
?
.
.
.
.
..................
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 22h22
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Poesia IV
Segunda Primeira Mulher
O endosso
do osso
do pescoço
do esposo,
ainda moço,
foi vossa,
fosso e
fossa,
separação!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 22h01
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Poesia III
A Poça
A Poça
empossa,
posse,
respinga!
Saia
a moça
torce,
xinga!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 21h43
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Poesia II
Metrô
O horário acaba.
Sozinho pasto e a pasta ofício oscila,
papelada do serviço.
A gota chove de encontro à face, há gotas!
Passos, passo hotel, passo, passo camelô, passo...
Lá está! Parada, lotada; olho e não desejo mais nada:
cimento, gente, cimento, jardim, cimento, grade, cimento, escada...
Desço, descida, desço, agora o avesso: ENTRADA!
No escuro, lume tudo.
A luz pura fura o submundo;
furo contínuo, subterrâneo fundo.
Continuo surdo, mudo. ÔÔ cego, não vê? GUICHÊ!
Um. Uma. Num segundo. Único?
Buraco, guarita, TV! Tu, ele, sumo, você...
Concentração uniforme, uno.
Ouvir parado, ouvido, cansado, ouvindo, barulho, vindo...
trilhos tremem e entro vagão afora,
imagem, espelho, demora...
Estações, todas elas passando
nas janelas...
O auto-falante informa.
Abriu, pulo!
Desembarco tonto na plataforma
Deixo o oculto. Túnel, emersão respiração, e vejo ainda: SAÍDA!
Clara tarde, por hoje passa, a praça passo,
Aperto, passo, passo, passo...
Agora chega, pára! Amanhã recomeça a tara.
E só hoje, venci os bafos, os vapores...
Mas, brava moleca, você não cessa! Cansaço?
Não faz parte de ti, minhoca de aço,
inteiro e constante alvo dos condicionados amores!
Velocidade, és Leopardo; agilidade, és ratazana,
artéria que embala a seiva paulistana.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - 2002 - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 15h58
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Poesia I
Carga
Puxo
a carroça
das coisas
da minha
vida.
Sou burro
e o tempo
me garante
apenas um
escuro quarto,
onde em noites
ruminantes
como indigesto
a minha
Alm'alfafa.
Sem sombra,
sem sonho,
assombro
aqueles que
percebem
que sou ser
Sobra.
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 15h27
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"Inquietudes"
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Buscar na Web "Carlos Drummond de Andrade"
“Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.”
Categoria: Citação
Escrito por Rafael às 15h14
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Início
Poesia tola
escorre à toa
dos dedos todos
fingindo estilos
meus!
Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP
Escrito por Rafael às 15h02
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