Poesia em Curso ou a Outra Margem ou Luz Letras




Escrito por Rafael às 00h28
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Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 00h41
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Perdurabo

Cavaleiro da branca rosa,

tua sombra é pedra

 e romanceiro, sina,

da seta sangue

que se aproxima.

 

Fecha o cenho,

dá mão à linha

e curva-te logo,

que o Sol tão cedo

não descaminha.

 

Nigredo lenho;

o que perdura.

Com o emblema, cala,

com a boca, rinha,

com a espada, cura.

 

A chaga sela

a agonia.

Sem desconcerto,

forjaste agora

a tua insígnia.

 

Acácia nova

enxerga o dia.

Ermida certa,

o teu início

é tua via.

 

Aperta o passo,

o arco o guia.

Centauro cálice,

não tarda a hora

que te confia.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - São Paulo  



Escrito por Rafael às 14h20
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Celebração

Celebro a Cidade,

na ignorância crua de cada grade,

no corpo sinuoso de cada rua,

na boca de esgoto de cada curva,

no ato singelo de cada passo,

no roto,

no rosto,

no resto...

Celebro a Cidade,

melancólico esqueleto destro.

Logo finda as serras,

vai que a Cidade guerra

as entranhas todas do mundo.

Imundo bem insano,

"Fugere Urbem", vem em sonho!

 

O moleque, na praça nervosa,

come um doce cinza.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP


Escrito por Rafael às 23h38
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Escrito por Rafael às 01h30
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Sina Pequenina

 

O Símbolo é a neve,

a criança importante na manjedoira,

a casinha com chaminé,

mas chovia gota grossa

e, no frio molhado,

os olhos de um menino,

como árvore luminosa,

brilhavam a falta.

Não há prece,

não há casa,

não há gente,

não há ceia farta,

tampouco o presente.

Só o menino pequeno,

no enorme egoísmo da noite;

papelão ignorado,

presépio do abandono.

Se Deus o protegia, não sei.

Tarefa demais para tanto.

...

E, enquanto isso,

na prateleira da loja,

um Natal diferente estava à venda

e todo mundo acreditava.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP

 



Escrito por Rafael às 21h11
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Mercadoria

 

Nestas eras de sonhos mortos,

só quimeras enlatadas

animam parcialmente

espíritos duvidosos e

vazios, produtos.

Todos são cada vez menos,

mas as marcas ainda são as mesmas...

O tempo inexiste em ócio,

a carne é sabor angústia,

o carrasco é o ponteiro do relógio

e há recreio de bílis,

que mais ácidas,

derretem até a lógica.

E quando, iluminado pela lâmpada de Mercúrio,

encontro o meu cansado reflexo

em espelho sujo,

espumando saliva fria,

reclamo o rótulo

que me falta,

consumindo-me grátis,

mercadoria.

 


 * Colocação (Categoria: Alto Tietê) no Concurso de Poesias: “aBrace as cores do arco-íris”, promovido pelo Movimento Cultural aBrace Para a Região do Alto Tietê-SP. Agosto, 2007.

** Publicada em Junho de 2008 no Jornal Mensal Português (Lisboa): "Mudar de Vida", pág. 15. Confira no Site:

http://www.jornalmudardevida.net/uploads/pdfs/mv8.pdf


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 18h21
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Poemeto da Constatação sem Eco

 

degradamos

a Hidrosfera,

a Atmosfera,

a Litosfera,

e,

logo,

seremos

fera

sem esfera.

Ex-fera, aí?


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 21h05
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Lume

 

Entremostrados,

desejos imaturos

rasgam a sombra

(enganos).

 

Cavaleiros do ocaso,

porque ser é certo.

 

Sem quando,

cego tateando

os segundos

do relógio gasto,

ávida luz.

 

Simples é guardar o

que nasce,

flor delicada:

o começo,

o fim,

ou o nada.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP


Escrito por Rafael às 17h56
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Fernando Pessoa e Aleister Crowley
 
Evocação

O emblema oculto
do poeta evitado
é o digno
distintivo
do Mestre.
Mas é chegada a hora!
Levanta, escura sombra,
e sacode o pó e as trevas!
Decifro-te e devoro-te,
encoberto,
embriagando-me
em tuas quimeras.
 

Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP


Escrito por Rafael às 17h38
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A Cigana
Guillaume Apollinaire

(26 août 1880, Rome - 09 novembre 1918, Paris)

 

Tradução: Rafael Puertas de Miranda


A velha cigana sabia, antes,
de nossas duas vidas condenadas pela noite.
Dissemos-lhe adeus
E, a nossa maneira, queríamos provar seus erros.

O amor, pesado como um urso lerdo,
bailou de pé, quando lhe ordenamos.
E o pássaro azul perdeu suas plumas, 
e os mendigos, suas súplicas.

Sabemos muito bem que nos condenamos,
mas a esperança perdida pelo caminho
nos faz pensar, mãos entrelaçadas,
no que a cigana havia dito.

(Mogi das Cruzes, 12 de Abril de 2007 - Outono)
 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 17h20
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A  gaiola vazia,

inteira azia do são,

jaz,

enfeita, enquanto,

apesar presa,

reine no canto

morto da sala;

encanto.

Cave-a

e nela encontrarás

pássaro forma,

norma e muitos,

porque minha.

Colorido encarte

de loucura?

Não, não é!

A imaginação

faminta é que

devora o espaço

alpiste engaiolado,

regurgitando nele

lentas lascas de letras.

Palpite foi deixá-la voar!

E vai existindo...


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 19h01
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Autoparódia

“Aqui entre nós (porquanto não ireis contá-lo aos poetas trágicos e a todos os outros que praticam a mimese), todas as obras dessa espécie se me afiguram ser a destruição da inteligência dos ouvintes,(...)”  Platão

O Poeta é um espremedor.

Espreme tão completamente

que arranca da palavra Dor

um sentido diferente.

 

E aqueles que provam o que ele espreme,

na Dor lida sentem bem,

não só o amargo de sempre,

mas um doce que ela não tem.

 

E assim, nas colheradas de sopa

giram, a saciar a emoção,

significados de palavra solta,

que dariam ânsia à Platão.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 21h12
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Outro Nó

 

Vale,

se a Solidão,

noiva nova,

assalta

até

pena fica

torta.

Danço

com ela,

alegre, e a

foice descansa.

Volúpia

inteira

tragada

pelo abismo

e angústia

da certeza 

de sorrisos não.

E a folha seca,

que solta a

árvore,

demora o tempo

e cai girando,

no lusco-fusco,

ao nosso lado.

(O rodopio do vestido negro!)

Fato,

amarga cena,

fado

em baile estático.

 

Sina sem sombra

e som:

Fada fria,

a noite

chegou

e eu não vi.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 18h37
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 Tua

A uma bela moça, inalcançável como Laura de Petrarca.

 

Uma palavra

áspera

rasgou-me

a face,

tirando-me a calma!

 

Era uma

amor

intratável e

ácida,

oriunda

da tua

boca,

seca da minha.

E mesmo cego

a sentia,

pairando

no vazio,

subvertendo

a Letra

do que

existe

e é fraco.

 

Pálido,

sangrei desejos

pela estrada

afora...


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 13h11
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Poema Alvo

Este é o poema alvo,

incauto,

oficial e ligeiro,

tiroteio que queima

a calma;

é um estalido seco

nestas horas histéricas,

é o medo degredo

do livre,

é os olhos em cenas

covardes,

é o bem e o mal

que depende do lado,

é sombra amorfa

espreitando a realidade,

é o buraco fatal

e mortífero fim,

sendo assim, é o agora!

 

E o poema alvo,

quem diria,

termina rubro.

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 16h37
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Suados dedos,

eficientes no tato,

percorrem teu corpo

em sensações completas

de momentos breves,

contato,

dermes entrelaçadas,

nu quarto.

...............

 

Na janela a vida despenca

como chuva forte

batendo em pedra cega.

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 19h01
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O silvo sibilante

da serpente assassina

sobe, sinuoso

e sem sigilo,

espaço acima;

suntuosa sombra som

no cimo

assinalada.

Vendo-a, o sertanejo

bruto bate bastante, bronco e brioso,

com um toco na cabeça dela:

NAJA CALADA!

 


 Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP

 



Escrito por Rafael às 18h50
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Insone

 

As madrugadas suburbanas

me enchem de um tédio suculento!

Socorridas, as vontades descansam alheias

e, enquanto o sono se esconde,

escuto a monotonia da rua

repousando em suspiros

e o vento frio que faz vibrar os fios dos postes,

e o pó dançando em redemoinho,

o obscuro sentido das coisas,

visitando-me

em mistérios noctívagos, fantasmas,

divagações maneiras

de um insone.

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 18h42
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Poema Toco

À Antônio Carlos Jobim

O toco não tem resto, Maestro!

Ele todo

é aquilo

que sobra!

O toco não tem resto, Maestro!

Ele o é!


 Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 20h35
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Hades Letra,

escura,

limo fingindo

flor

na folha,

agrura!

Três cabeças

e a mesma fúria.

Cuidado Nauta:

há desgosto

no domínio!


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 20h03
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Salgad(inho)

Tu és, ó Mar Salgado,

o cuspe abismal

que separa,

sisudo,

a Língua

do Brasil

da

de Portugal.

 

Por ti, as mães não choram mais,

pois reservam seus ais

para os finais casamenteiros

de nossas novelas caravelas

que povoam as telas lusitanas.

E as gírias,

ardilosas ratazanas,

descobrem as bocas estrangeiras

e sob olhares ciosos

deflagram um brasílico beijo lingual

de desforra.

 

Não faz mal,

vamos encher lingüístas!


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 16h26
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par

a

 

mariposa

moça

pousa

beija

na flor

o seu amor

e o afeto no abeto

pela noite

ofusca o teto

sem cor

afinal, qual estrela,

em um encontro

na mata, brilharia

muito

 

mais quente?!!?

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 14h10
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Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 13h47
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Suspiros poéticos e soluços

 

ai, ai...

....................

....................

urp!

....................

....................

urp!

....................

....................

urp!

ai, ai...

....................

....................

urp, hic!

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 13h22
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UOL


Escrito por Rafael às 22h46
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Circe

 

Estou um porco, Circe,

e o fel do

teu corpo feiticeiro

perfuma meu

desejo louco.

Grunho rouco

no chiqueiro,

ainda que

reste apenas

entre as réstias

tua sinuosa

sombra.

 

O focinho chafurda,

em chama,

a lama.

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 14h24
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Poema Caveira

Resto de pele é

seca palavra,

arcabouço de idéias

descarnadas.

O branco tosco

do papel

que resta

reclama faminto

o risco,

arranha

lasca inteira

da ponta

do lápis

com seus

dentes sulcos

esfomeados.

E a órbita

vazia

do medroso,

poema caveira

osso,

exala economia.

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 14h54
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Poesia X

 

Aberta,

a boca

abarca:

abelha,

mosca,

traça...

Até a

palavra

incerta,

inseta!

 

Feche-a,

ô meu!

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 14h37
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Poesia VIII

 

Entre Bares

Saborosos paraísos líquidos

regam desejos ancestrais.

Sem temperamentos pálidos,

és esquálido diante de tua sombra tênue.

Gama de riscos,

corpos,

copos,

medos interiores e 

reflexos alucinados de seres,

o tempo todo,

vitoriosos!

 

Todos são verdades inventadas

nestas horas mortas que não passam,

pingam!

Êh, choro que não vem

e é dor,

ponta encravada no espírito teimoso e

ébrio que

só sorri,

só, sorri.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 21h10
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"Ver"

Autor: Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... 
   Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
   Porque eu sou do tamanho do que vejo
   E não do tamanho da minha altura...

Buscar na Web "Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)"

 



Categoria: Citação
Escrito por Rafael às 20h16
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Sem Espaço

A cena era incrível: reinava em seu pedestal enferrujado aquela espinha de peixe de alumínio espelhado. Da janela do meu quarto, admirado, passava horas a observá-la. Como a quilha de um navio, ela rasgava o oceano atmosférico em busca das ondas invisíveis. Era pura liberdade. Suas sofisticadas concorrentes circunflexas, constantemente vitimadas pelas moscas orbitais e seus ícones viciosos, invejavam-na. Ela que ainda respirava os ares do cotidiano regionalista; a grande guerreira, ofensiva, intrépida, estática, ultrapassada, um morcego espinhudo! Aquela singular figura só temia o vento: varrida, dava voltas, às vezes alçava vôo; vibrava no vazio, virava veloz... E ali permanecia. Até que, no dia do jogo principal, sem chance: chovia o chato chuvisco cheio de chispas. Chinfrim! Então, a torcida torcia o poleiro. Está bom? Tá! E tudo voltava ao normal. Com seus pólos receptores, já tragava novamente as vagas hertzianas e cuspia em mim seu escarro televisivo.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 18h57
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Poesia VII

 

E então, já era?...

À Vladimir Maiakóvski

 

As bombas passam em alta velocidade,

os mísseis faíscam os céus,

os aviões de passeio viram pedras cuspidas da funda de Davi

e daqui percebo que nenhum cidadão

ousa respirar tranqüilo.

Asma à arma.

 

Abrem-se as folhas fossas de jornal

e as desgraças notícias são as mesmas.

Os átomos soltos saltam

e, como cachorros perdidos

com olhares lacrimosos,

seguem-me até em casa.

O mar da história é sonegado.

Salve, a memória é curta! Salvem-se!

 

Lá longe, vagas procelas

afogam um navio figura teimoso

de quilha arruinada e gasta

como nossos sorrisos amarelos

de paraíso engasgado.


 Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP

 



Escrito por Rafael às 22h29
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Poesia VI

À Vida

À Augusto dos Anjos

 

Sombras despertam a ação da figura

que rói as entranhas desalmadas.

Contorcidas carcaças, já enterradas,

palpitam com o viver de tal criatura.

 

E o silêncio do abismo escavado

só se faz novamente quando o verme,

insistente e faminto, chega ao cerne

do pútrido alimento inanimado.

 

Esta, então, é a resposta

que apavora o homem e entorpe.

Quem comigo faz uma aposta?

 

Vamos, desafie a Morte!

E verás o castigo ao qual tua alma é imposta.

Estarás longe, enquanto outros decidirão tua sorte.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 22h06
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Poesia V

O

 

Solitário

 

é um aquário

vazio na beira

de um

r

i

o

cheio de peixe!

cheio de peixe!

cheio de peixe!

cheio de peixe!

                            ?

                                                 .

                                                 .

                                                 .

                                                 .

                                                 ..................

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 22h22
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Poesia IV

 

Segunda Primeira Mulher

 

O endosso

do osso

do pescoço

do esposo,

ainda moço,

foi vossa,

fosso e

fossa,

separação!

 


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 22h01
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Poesia III

 

A Poça

 

A Poça

empossa,

posse,

respinga!

Saia

a moça

torce,

xinga!


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 21h43
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Poesia II

 

Metrô

 

O horário acaba.

Sozinho pasto e a pasta ofício oscila,

papelada do serviço.

A gota chove de encontro à face, há gotas!

Passos, passo hotel, passo, passo camelô, passo...

Lá está! Parada, lotada; olho e não desejo mais nada:

cimento, gente, cimento, jardim, cimento, grade, cimento, escada...

Desço, descida, desço, agora o avesso: ENTRADA!

No escuro, lume tudo.

A luz pura fura o submundo;

furo contínuo, subterrâneo fundo.

Continuo surdo, mudo. ÔÔ cego, não vê? GUICHÊ!

Um. Uma. Num segundo. Único?

Buraco, guarita, TV! Tu, ele, sumo, você...

Concentração uniforme, uno.

Ouvir parado, ouvido, cansado, ouvindo, barulho, vindo...

trilhos tremem e entro vagão afora,

imagem, espelho, demora...

Estações, todas elas passando

nas janelas...

O auto-falante informa.

Abriu, pulo!

Desembarco tonto na plataforma

Deixo o oculto. Túnel, emersão respiração, e vejo ainda: SAÍDA!

Clara tarde, por hoje passa, a praça passo,

Aperto, passo, passo, passo...

Agora chega, pára! Amanhã recomeça a tara.

E só hoje, venci os bafos, os vapores...

Mas, brava moleca, você não cessa! Cansaço?

Não faz parte de ti, minhoca de aço,

inteiro e constante alvo dos condicionados amores!

Velocidade, és Leopardo; agilidade, és ratazana,

artéria que embala a seiva paulistana.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta -  2002 - Mogi das Cruzes - SP

 



Escrito por Rafael às 15h58
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Poesia I

 

Carga

 

Puxo

a carroça

das coisas

da minha

vida.

Sou burro

e o tempo

me garante

apenas um

escuro quarto,

onde em noites

ruminantes

como indigesto

a minha

Alm'alfafa.

 

Sem sombra,

sem sonho,

assombro

aqueles que

percebem

que sou ser

Sobra.


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP

 



Escrito por Rafael às 15h27
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"Inquietudes"

Autor: Carlos Drummond de Andrade

Buscar na Web "Carlos Drummond de Andrade"

“Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos.”



Categoria: Citação
Escrito por Rafael às 15h14
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Início

 

Poesia tola

escorre à toa

dos dedos todos

fingindo estilos

meus!


Rafael Puertas de Miranda - Poeta - Mogi das Cruzes - SP



Escrito por Rafael às 15h02
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